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No divã

No divã

Qua | 12.09.18

Trabalhar e estudar

* Este post é para quem, como eu, escolheu estudar e trabalhar ao mesmo tempo, sendo que nenhuma delas constitui uma necessidade. Ou seja, num cenário em que estás a fazer as duas coisas, mas 1) estás a acabar um curso porque "tem de ser" ou 2) estás a trabalhar porque, infelizmente, o dinheiro não cai do céu (ou as duas situações), o que vou escrever a seguir pode não fazer muito sentido na tua situação em específico.

 

Como referi aqui, decidi que iria continuar a estudar. Portanto, neste ano letivo, à semelhança do que aconteceu no anterior, vou estar a trabalhar e a estudar (como se uma das coisas, por si só, não fosse dar uma grande trabalheira...!). Confesso que esta decisão me custou a tomar, mesmo depois de me inscrever não tinha a certeza e fui adiando a derradeira decisão para a altura das colocações e matrículas (ou seja, até agora!), hesitei muito... muito mais do que no ano passado. Comecei a sofrer pela antecipação do ano que aí vem, questionei-me muitas vezes se a obtenção de um novo grau me traria vantagens para o futuro,... enfim, um sem fim de questões que me assaltaram, procurei muitas opiniões, ponderei os prós e os contras 34843 vezes, etc.

 

 

Mas então, J., estás para aí a falar, a falar... e onde é que queres chegar com isto?

Bom, cá vai o ponto: trabalhar e estudar não é, de todo, fácil. É, muitas vezes, difícil gerir o tempo, as prioridades e os imprevistos. Mas há coisas que podem facilitar a nossa vida, mesmo no meio do caos!

 

1. Escolham o que vos faz sentido.

Pode ser uma pós-graduação, um mestrado, um doutoramento ou até outro curso: escolham algo que, de certa forma, se encaixa e alinha com as vossas aspirações, com os vossos objetivos, com o que gostam. A motivação é capaz de ser a palavra-chave ao longo do caminho e toda a gente sabe que é mais fácil estarmos motivados com algo que gostamos. Certo?

 

2. Sejam realistas.

Se estão a trabalhar a tempo inteiro e ainda fazem horas-extra e a tirar um curso... sejam realistas relativamente aos vossos objetivos. Quando regressei às secretárias da faculdade no ano passado só tinha um objetivo: aprender. Sim, eu gosto de ter boas notas, gosto se, porventura, aparecer um 18 na pauta, mas... temos de ser realistas. Eu não tinha tempo para começar a estudar com mais antecedência do que uma semana, sendo que pegava nas coisas menos de uma hora por dia, na maior parte das vezes. Isto foi o resultado da minha escolha de prioridades: eu não queria falhar no trabalho; eu queria continuar a ser o melhor que podia ser. Para isso, eu tive de aceitar que o melhor que eu podia ser no curso que estava a tirar era simplesmente absorver tudo o que poderia absorver para melhorar a minha prática clínica e que as avaliações faziam parte de um procedimento formal e que não tinham valor para lá disso.

 

3. Sejam pacientes convosco próprios.

Porque, mesmo quando ter boas notas não é uma prioridade, o ego fica "um pouco" ferido quando chumbam a uma cadeira ou passam "por uma unha negra". Pior: quando isto acontece e vocês sabem que sabem. Sejam pacientes e tolerantes, não se punam por isso, não se coloquem em causa. Podemos não fazer sempre o nosso melhor, mas fazemos sempre o melhor que podemos, perante as circunstâncias apresentadas no momento. 

 

4. Façam amigos.

Consoante a fase da vida em que se encontram, também podem ser aqueles amigos que vão convosco sair à noite, mas não é sobre essa parte que quero falar agora. Façam amigos que tornem os dias de aulas mais leves só pelo simples facto de estarem ali. Façam amigos com quem podem desabafar depois de um dia, de uma semana ou de uma situação em específico de trabalho. Façam amigos com quem possam trocar opiniões, conselhos, experiências (no meu caso e na minha área é muito enriquecedor trocar ideias!). Façam amigos com quem possam jantar ou almoçar enquanto reclamam de tudo e de nada ou se riem de tudo e de nada! Façam amigos que vos possam passar todas as informações e apontamentos das aulas quando têm de faltar (não preciso de dizer "e retribuam", pois não? Estava implícito no conceito de "amigo"). A sério, façam amigos. Os homens não são ilhas.

 

E haverá um sem fim de coisas que tornam a vida mais simples quando se tem o estatuto de trabalhador-estudante. Porventura, as que elenquei não serão válidas para toda a gente. Fazem-me sentido, a mim, mas somos todos diferentes!

E vocês, já passaram, estão a passar ou a pensar passar por uma situação semelhante?

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