Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

No divã

No divã

Qua | 26.09.18

Um breve update

Um breve update, porque sei que isto de ter um blog é tal e qual como ter uma casa: há que fazer a manutenção regularmente.

O trabalho recomeçou com a abertura do ano letivo e, apesar de ainda não estar a decorrer a 100% nos moldes habituais, sinto-me muito mais cansada do que se andasse na minha azáfama do dia-a-dia, de escola em escola. Todo este período me ajudou a perceber que não sou "pássaro de gaiola" e que, definitivamente, um emprego de escritório não era para mim; preciso de ar puro e de movimento.

Os dias, além de cansativos, também não têm sido leves. Na verdade, sinto-me com muitos mais anos do que aqueles que na realidade tenho (já dizia um orientador de estágio, em tempos idos, "és uma velha num corpo de menina" e não se enganava). Contudo, é o cansaço mental que se sobrepõe ao físico; é o cansaço mental que me leva a uma inércia, por vezes, difícil de contrariar.

Nestes dias assim, tendo para procurar inspiração... em livros, em vlogs,em blogs, em algumas pessoas que me são queridas (a par, claro, com a ajuda que não dispenso). Nem sempre é fácil lidar sozinhos com a tendência para controlar tudo (quando controlamos tão pouco); com sentimentos de impotência face a situações em que sabemos que não estamos a ir na direção certa, mas em que, mesmo assim, temos de ir, porque temos de respeitar ordens superiores; quebrar um ciclo de pensamentos negativos.

Comecei setembro com aquela sensação de renovada energia, com planos voltados para mim e, nos entretantos da vida, fui perdendo o foco (até são raros os dias em que me lembro do desafio minimalista, vejam só), fui-me abandonando por caminhos mais sombrios e agora... agora estou a precisar de romper com isto tudo, de fazer mais do que me faz feliz, de mudar o chip dos pensamentos, como costumo dizer, e de ter um discurso mais positivo.

 

c350a08c6629a02b204bc36c68140ec0.jpg

(Imagem daqui)

Dom | 23.09.18

Ir ao psicólogo não é de doidos

Isto não é conversa nova: a importância atribuída à saúde mental não chega nem aos calcanhares da que se atribui à saúde física; a doença mental não é tão válida nem carece de tantos cuidados quanto a doença física.

Se eu disser que vou ao médico porque passei a noite a vomitar e com febre... toda a gente diz "vai lá, rapariga". Mas se eu disser que vou ao psicólogo porque estou extremamente ansiosa, além da generalidade das pessoas não saber o que é a ansiedade patológica, ainda me olham de lado e pensam "pff... manias!". É claro que estou a generalizar bastante, mas entendem a ideia.

Bem, eu vou ao psicólogo... sim, sou uma das pessoas com aquela que já se encontra dentro do grupo das "doenças do século XXI": ansiedade. Fui diagnosticada há mais de dois anos com perturbação da ansiedade generalizada e, desde aí, tenho sido acompanhada com regularidade. E sabem? Foi um dos melhores investimentos que fiz. Ir ao psicólogo não é um bicho de sete cabeças nem etiqueta a nossa testa com a palavra "louco" ou semelhante (a única pessoa que me etiquetou a testa, uma vez, foi o meu namorado, quando adormeci... felizmente, vi-me ao espelho antes de sair de casa pela manhã). 

Ir ao psicólogo também não é um luxo, uma mania ou uma forma de chamar a atenção. Eu gostava que os leitores não me interpretassem dessa forma. Partilho a minha experiência, porque antes de decidir que ia procurar ajuda hesitei muito, durante muito tempo e algumas razões prenderam-se com preconceitos: meus e da sociedade em geral. E não fazia ideia de como o passo que, felizmente, viria a dar ia melhorar a minha qualidade de vida.

Quando comecei, mesmo antes da primeira consulta (e já na sala de espera!), vieram-me alguns pensamentos à cabeça "mas o que é que eu vou dizer a um estranho?... Eu nem sei por onde começar!"isto é inútil... vou só fazer alguém perder o seu tempo comigo" e até "eu vou-me embora daqui, isto foi um erro, eu consigo dar a volta a isto sozinha". Não podia estar mais errada. Vou passar a explicar:

 

Pensamento 1| "Mas o que é que eu vou dizer a um estranho?... Eu nem sei por onde começar!"

É um estranho, sim. E isso é bom, especialmente quando é um estranho que não está ali para nos julgar e que nos escuta ativamente num ambiente de plena aceitação das nossas características individuais, das nossas histórias, crenças, valores,...

Ainda sobre "ser um estranho": é um estranho que se estranha e depois se entranha, como diz o velho ditado. O facto de ser um estranho foi para mim muito mais reconfortante do que se fosse um conhecido ou até um amigo, ao contrário do que eu pensei inicialmente. Eu já tinha falado do meu problema a uma ou duas pessoas mais próximas e tinha recebido apoio muito caloroso, mas não podia deixar de pensar que elas me estavam a dizer aquilo porque eram minhas amigas. Além disso, como pessoalmente tenho muita tendência a pensar sobre o que é que os outros estão a pensar de mim, nem sempre dizia as coisas de forma tão autêntica, porque as filtrava antes de as dizer com medo do julgamento. Essas pessoas, a quem agradeço muito, não eram tão imparciais quanto uma pessoa que não me conhecia de lado nenhum e esse fator fez toda a diferença. Os nossos amigos são imprescindíveis, mas são isso: amigos. Não são, nem têm de ser, os nossos psicoterapeutas. 

Quanto à parte de não saber por onde começar... bem, eu descobri que os psicólogos têm sempre a carta certa para jogar no momento oportuno e as estratégias para nos fazer falar, mesmo quando as palavras não encontram um caminho. Aqui apetece-me dizer mais uma coisa: outro ponto a favor de serem um estranho é que têm uma visão "de fora" sobre o que lhes dizemos, o que faz com que nos coloquem questões e pontos de vista sob os quais nunca tínhamos pensado ou olhado para a nossa vida.

 

Pensamento 2| "Isto é inútil... vou só fazer alguém perder o seu tempo comigo"

Primeiro: não é inútil. Além de me fornecer ferramentas para lidar com a minha condição e, assim, melhorar a minha qualidade de vida, eu redescobri-me, aprendi muito sobre mim... e isso ajuda-me, todos os dias, em diversos contextos.

Segundo: eu encontrei um bom profissional, com o desejo genuíno de ajudar pessoas e quero acreditar que a maior parte dos profissionais é assim também. Por isso, se é a sua profissão, a que escolheram com o coração, o tempo que "perdem" com os outros não é tempo perdido; é simplesmente o tempo em que estão a fazer o que gostam de fazer. E nós estamos a pagar, justamente, pelo seu tempo.

 

Pensamento 3| "Eu vou-me embora daqui, isto foi um erro, eu consigo dar a volta a isto sozinha"

Não, não foi um erro. E NÃO, eu não conseguia dar a volta sozinha... sabem aquela frase que diz algo como "quando quiseres desistir de alguma coisa, lembra-te dos motivos que te fizeram começar"? É mais ou menos esse o exercício... quando pensarem sair a correr da sala de espera, pensem no que estavam a sentir quando marcaram a consulta. Há um motivo muito válido para estarem onde estão.

 

Posto isto, ir ao psicólogo não é de doidos! Ir ao psicólogo é uma coisa tão natural como ir ao médico com uma perna partida, à florista comprar um ramo de flores para oferecer a alguém especial, ao padeiro comprar pão, ao ginásio para queimar gordura, etc. Quando precisamos de algo, vamos ao sítio onde nos podem satisfazer as nossas necessidades, certo? Então é isso: quando a "saúde mental" dá sinais, precisamos de ir ao sítio onde nos podem ajudar. 

 

Ter | 18.09.18

Os primeiros destaques

Destaque 17-09-2018 - Copy.png

 

17-09-2018 1.png

 

Eeeee... parece que o post Trabalhar e estudar foi destacado (em dois sítios... dois!) - o que me deixa muito feliz e grata!

Se já leram, sabem que decidi continuar a estudar, apesar de estar a trabalhar a tempo inteiro. Por isso, é um post que partiu da minha experiência pessoal e que surgiu de uma série de lições que fui colhendo ao longo do tempo. Se ainda não leram e o tema vos suscita interesse, ide, ide, ide ler!

Deixa-me muito feliz que o Trabalhar e estudar tenha sido divulgado e, mais ainda, que possa ser útil para outras pessoas na mesma situação!

 

Obrigada à equipa dos Blogs, ao Tiago Ferreira do MUSICPORTUGAL, a quem por cá passa regularmente e a quem por cá passou por causa do destaque... este também é o vosso espaço!

Seg | 17.09.18

Como começar a meditar

 

A meditação tem inúmeros benefícios a nível físico, mental e espiritual, sendo os mesmos alvo de muitos estudos científicos, com resultados comprovados. E não é sobre estar sentado com as perninhas à chinês e as mãos sobre os joelhos, com o dedo polegar a tocar no dedo indicador. Também pode ser, se assim desejarem, mas podem simplesmente sentar-se numa cadeira ou no sofá.

Se estão a pensar começar a fazê-lo, deixo algumas dicas que resultaram comigo:

1. Procurem meditar numa hora do dia em que não haja distrações e em que não haja a possibilidade de serem incomodados. Na mesma linha de pensamento, coloquem o telemóvel em modo voo ou deixem-no fora da divisão onde estão a meditar, se for possível.

2. Sentem-se numa posição confortável... seja ela sentados de perninhas à chinês, no chão, numa cadeira, no sofá,... desde, claro, que o façam com uma postura correta (costas direitas!). Eu também medito deitada: pés ligeiramente afastados, costas completamente apoiadas no colchão, braços e mãos ligeiramente afastados do corpo.

3. Comecem com poucos minutos. Podem começar com meditações guiadas que podem encontrar no YouTube ou em aplicações de telemóvel desenhadas para o efeito. As meditações guiadas têm a vantagem de, como o nome indica, guiar a meditação, sendo mais fácil não se agarrarem aos pensamentos que, inevitavelmente, vêm à cabeça. Se não optarem por este método, como disse, comecem com poucos minutos (por exemplo, dois minutos... lembrem-se: a qualidade vale mais do que a quantidade) e reparem na vossa respiração. Inspirem pelo nariz e sintam o ar a entrar pelas nariz, imaginem-no a descer pela garganta e a chegar aos pulmões, reparem como o vosso peito se enche de ar e sustenham o ar durante uns segundos. Depois, enquanto expiram, visualizem o percurso inverso do ar.

4. É normal - e inevitável - que os pensamentos venham à cabeça. Não há qualquer problema! Como disse aqui, meditar não é sinónimo de não pensar em nada, mas sim sobre ver os pensamentos como algo exterior a nós, imaginá-los como nuvens (por exemplo...) e deixá-los fluir. Quando sentirem que já não estão focados na respiração e estão, em vez disso, a pensar no que vão comer ao jantar, voltem à respiração.

5. Consistência é A palavra. Não importa a quantidade de tempo. O importante é meditar um pouco todos os dias, ser consistente. 

 

Eu costumo meditar à noite. De manhã, custa-me acordar mais cedo para meditar e durante o dia nem sempre é fácil encontrar um momento em que não possa ser incomodada. Cada pessoa terá o seu timing perfeito, consoante as suas próprias circunstâncias.

Não vou mentir e dizer que medito todos os dias. Não o faço e talvez por isso não tenha tido a oportunidade de notar a maior parte dos benefícios que a meditação pode trazer para a vida de quem a pratica diariamente, mas posso-vos dizer que atualmente controlo muito melhor a minha respiração, permitindo-me, por exemplo, ter mais resistência quando vou nadar. Neste ponto, senti uma diferença enorme e as minhas idas à piscina, ainda que escassas (vou mudar isso... é um objetivo meu!) tornaram-se muito melhores, porque parar a cada 12,5 metros, porque a respiração estava completamente descoordenada e já tinha bebido 1,5 L de água, não era o que me fazia sentir bem. Também sinto que me ajuda particularmente em momentos em que me sinto mais ansiosa... é como se, ao moldar a minha respiração, ao abrandar conscientemente, consiga também abrandar os meus pensamentos e sentir-me mais calma.

Esta é a minha experiência com a meditação! E vocês? Meditam ou já tentaram? Estão a pensar começar a meditar? Contem-me as vossas experiências e partilhem outras dicas para quem pretende começar a dar os primeiros passos na meditação!

Qua | 12.09.18

Trabalhar e estudar

* Este post é para quem, como eu, escolheu estudar e trabalhar ao mesmo tempo, sendo que nenhuma delas constitui uma necessidade. Ou seja, num cenário em que estás a fazer as duas coisas, mas 1) estás a acabar um curso porque "tem de ser" ou 2) estás a trabalhar porque, infelizmente, o dinheiro não cai do céu (ou as duas situações), o que vou escrever a seguir pode não fazer muito sentido na tua situação em específico.

 

Como referi aqui, decidi que iria continuar a estudar. Portanto, neste ano letivo, à semelhança do que aconteceu no anterior, vou estar a trabalhar e a estudar (como se uma das coisas, por si só, não fosse dar uma grande trabalheira...!). Confesso que esta decisão me custou a tomar, mesmo depois de me inscrever não tinha a certeza e fui adiando a derradeira decisão para a altura das colocações e matrículas (ou seja, até agora!), hesitei muito... muito mais do que no ano passado. Comecei a sofrer pela antecipação do ano que aí vem, questionei-me muitas vezes se a obtenção de um novo grau me traria vantagens para o futuro,... enfim, um sem fim de questões que me assaltaram, procurei muitas opiniões, ponderei os prós e os contras 34843 vezes, etc.

 

 

Mas então, J., estás para aí a falar, a falar... e onde é que queres chegar com isto?

Bom, cá vai o ponto: trabalhar e estudar não é, de todo, fácil. É, muitas vezes, difícil gerir o tempo, as prioridades e os imprevistos. Mas há coisas que podem facilitar a nossa vida, mesmo no meio do caos!

 

1. Escolham o que vos faz sentido.

Pode ser uma pós-graduação, um mestrado, um doutoramento ou até outro curso: escolham algo que, de certa forma, se encaixa e alinha com as vossas aspirações, com os vossos objetivos, com o que gostam. A motivação é capaz de ser a palavra-chave ao longo do caminho e toda a gente sabe que é mais fácil estarmos motivados com algo que gostamos. Certo?

 

2. Sejam realistas.

Se estão a trabalhar a tempo inteiro e ainda fazem horas-extra e a tirar um curso... sejam realistas relativamente aos vossos objetivos. Quando regressei às secretárias da faculdade no ano passado só tinha um objetivo: aprender. Sim, eu gosto de ter boas notas, gosto se, porventura, aparecer um 18 na pauta, mas... temos de ser realistas. Eu não tinha tempo para começar a estudar com mais antecedência do que uma semana, sendo que pegava nas coisas menos de uma hora por dia, na maior parte das vezes. Isto foi o resultado da minha escolha de prioridades: eu não queria falhar no trabalho; eu queria continuar a ser o melhor que podia ser. Para isso, eu tive de aceitar que o melhor que eu podia ser no curso que estava a tirar era simplesmente absorver tudo o que poderia absorver para melhorar a minha prática clínica e que as avaliações faziam parte de um procedimento formal e que não tinham valor para lá disso.

 

3. Sejam pacientes convosco próprios.

Porque, mesmo quando ter boas notas não é uma prioridade, o ego fica "um pouco" ferido quando chumbam a uma cadeira ou passam "por uma unha negra". Pior: quando isto acontece e vocês sabem que sabem. Sejam pacientes e tolerantes, não se punam por isso, não se coloquem em causa. Podemos não fazer sempre o nosso melhor, mas fazemos sempre o melhor que podemos, perante as circunstâncias apresentadas no momento. 

 

4. Façam amigos.

Consoante a fase da vida em que se encontram, também podem ser aqueles amigos que vão convosco sair à noite, mas não é sobre essa parte que quero falar agora. Façam amigos que tornem os dias de aulas mais leves só pelo simples facto de estarem ali. Façam amigos com quem podem desabafar depois de um dia, de uma semana ou de uma situação em específico de trabalho. Façam amigos com quem possam trocar opiniões, conselhos, experiências (no meu caso e na minha área é muito enriquecedor trocar ideias!). Façam amigos com quem possam jantar ou almoçar enquanto reclamam de tudo e de nada ou se riem de tudo e de nada! Façam amigos que vos possam passar todas as informações e apontamentos das aulas quando têm de faltar (não preciso de dizer "e retribuam", pois não? Estava implícito no conceito de "amigo"). A sério, façam amigos. Os homens não são ilhas.

 

E haverá um sem fim de coisas que tornam a vida mais simples quando se tem o estatuto de trabalhador-estudante. Porventura, as que elenquei não serão válidas para toda a gente. Fazem-me sentido, a mim, mas somos todos diferentes!

E vocês, já passaram, estão a passar ou a pensar passar por uma situação semelhante?

Sex | 07.09.18

Um livro recomendado

O desafio minimalista de hoje consiste em organizar a lista de leitura e, a propósito de leituras, venho falar-vos - um pouco apenas e na perspetiva de vos deixar com vontade de ler - de um livro que me marcou.

 

 

Mataram a cotovia é um dos meus livros preferidos. Apesar de fazer parte da lista do Plano Nacional de Leitura para o 3º ciclo, é um livro para todas as idades. Li-o há uns quantos anos e certamente que repetirei a experiência no futuro. Por tudo: a simplicidade da escrita de Harper Lee, o humor (uma vez ri-me tanto no comboio que as pessoas à minha volta devem ter achado que enlouqueci) e a profundidade dos temas em que a autora toca.

Mataram a cotovia é então a história de Scout, do seu irmão e do pai (viúvo), que é advogado. E é este pai, que é a encarnação da justiça e da defesa pelos direitos dos outros, que encoraja Scout e o irmão a refletirem ao invés de se deixarem levar pela ignorância e o preconceito. A história gira em torno de um caso que Atticus (o pai) aceita defender em tribunal: um negro acusado de ter violado uma rapariga branca, no Alabama, durante a Grande Depressão.

Recomendo vivamente a leitura deste livro, assim como a continuação do mesmo (Vai e põe uma sentinela). 
E vocês, já leram este livro? O que acharam? 
Qua | 05.09.18

DIAS 4 e 5| Reclamações e prioridades

Hoje é o quinto dia do desafio minimalista e, se me têm acompanhado, sabem que tenho contado como tem corrido (aqui e aqui).

Ontem era dia de não reclamar e, para hoje, pede-se que se identifique 3 prioridades na vida. Sintam-se à vontade para continuar a leitura:

 

DIA 4| Passar o dia sem reclamar

Este dia serviu para, pelo menos, perceber que... passo a vida a reclamar. Escusado será dizer que não atingi o objetivo de ontem. Shame on me!

 

DIA 5| Identificar 3 prioridades na minha vida

Algures neste post referi que tenho tido alguma dificuldade em planear a minha vida. Portanto... definir 3 prioridades na minha vida era mesmo o que eu estava a precisar para começar a alinhar as ideias.

 

Resultado de imagem para prioridades

 

A primeira prioridade na minha vida... sou eu. Preciso de mudar o foco do trabalho e até dos outros. Preciso de não me deixar para último plano, de não pensar "se tiver tempo de lá chegar, tudo bem; se não tiver, não faz mal". Faz mal, sim. Ninguém morre por não ser a prioridade número um na sua vida, mas também é verdade que ninguém pode ajudar ninguém se não estiver bem... e quando não nos priorizamos, às páginas tantas, já não temos disponibilidade - mental, emocional ou o que lhe quiserem chamar - para os outros, para o trabalho, para os estudos ou para outra coisa qualquer. Assim, para ser melhor pessoa e também melhor profissional, vou cuidar de mim e colocar-me na minha agenda.

A minha rede de suporte (a minha Família e os Amigos) será a minha segunda prioridade. Sinto que ao longo dos últimos tempos (quase dois anos) tenho dado muito ao trabalho e que quando estou com a minha família, com o meu namorado ou com os meus amigos não estou verdadeiramente presente, tenho mil e uma coisas na cabeça ou estou a fazer mil e uma coisas. Quero muito mudar isto, mas sei que para que isto aconteça preciso de fazer da prioridade número um uma prioridade a sério.

Para o terceiro e último lugar escolhi a próxima etapa académica que irá começar em breve. Depois de perguntar segundas opiniões a 30 pessoas diferentes, decidi que iria continuar a estudar. Não irei desenvolver muito este tópico agora mas, a seu tempo, tecerei algumas considerações acerca do mesmo.

 

 

Qua | 05.09.18

O poder dos pensamentos

Quando comecei a fazer terapia, despertei para o poder dos pensamentos (ou não fosse o método utilizado chamado de Terapia Cognitivo-Comportamental*). E percebi que eles podem facilitar as nossas vidas ou, por outro lado, dificultá-las e torná-las num verdadeiro tormento.

 

- Os pensamentos são coisas fundamentais e vivas, pequenas massas de energia. A maior parte das pessoas não pensa na natureza dos seus pensamentos e, no entanto, a qualidade do teu pensamento determina a qualidade da tua vida. Os pensamentos fazem parte do mundo material, tal como a piscina em que nadas ou a rua que percorres. Mentes fracas traduzem-se em atos fracos. Uma mente forte e disciplinada, que qualquer pessoa pode cultivar através do treino diário, pode alcançar milagres. Se queres viver a tua vida em pleno, preocupa-te com os teus pensamentos da mesma maneira que te preocupas com os teus bens mais preciosos. Esforça-te por eliminar toda a turbulência interior. As recompensas serão muitas.

 

Robin Sharma, in O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari

 

Eu não fazia ideia de como os meus padrões de pensamento estavam a influenciar a forma como me sentia (predominantemente ansiosa), de como estava a distorcer a realidade à minha volta, de como estava a ser demasiado dura comigo mesma e a afetar a minha qualidade de vida.

Por consequência do que acabei de referir, também não fazia ideia que podia ter mais controlo sobre os meus pensamentos, de os modificar, assim como às minhas crenças e ideias automáticas irracionais.

 

(...) qualquer pessoa consegue facilmente criar um padrão mental positivo e criativo, num curto espaço de tempo. O processo é muito simples: sempre que um pensamento indesejável se instalar no centro da tua mente, substitui-o de imediato por um pensamento positivo. É como se a tua mente fosse um gigantesco projetor de slides, em que cada pensamento da tua mente é um slide. Sempre que um slide negativo aparecer no ecrã, apressas-te a substituí-lo por um positivo.

 

Robin Sharma, in O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari

 

Contudo, nem sempre é assim tão simples... principalmente quando estamos presos num loop interminável de pensamentos negativos. Ainda hoje, e mesmo depois de ter concluído a terapia, tenho dificuldades em modificar os meus pensamentos.

 

É normal sentir-se um pouco infeliz de vez em quando, mas ocasionalmente alguns pensamentos tristes podem acabar por desencadear uma série de recordações infelizes, emoções negativas e julgamentos severos. Em pouco tempo, as horas ou até os dias podem ser caracterizados por pensamentos críticos negativos (...) Os pensamentos de autoataque deste género são incrivelmente poderosos e assim que adquirem uma dinâmica são quase impossíveis de deter. Um pensamento ou sentimento leva ao próximo e depois ao seguinte.

 

Mark Williams & Danny Penman in Mindfulness

 

 

Por outro lado, também posso dizer que a partir do momento em que consigo quebrar a tendência para ter pensamentos menos positivos e menos felizes, é mais fácil gerar mais e mais pensamentos positivos e, assim, viver com mais leveza, como gosto de dizer, porque é mesmo assim que me sinto quando consigo abandonar pensamentos sombrios da minha mente: leve.

 

 

*A Terapia Cognitivo-Comportamental é um método psicoterapêutico testado e comprovado cientificamente por inúmeros estudos científicos e é frequentemente utilizada em casos de ansiedade e depressão.

Seg | 03.09.18

DIAS 2 e 3| Desafio minimalista

DIA 2| Meditar durante 15 minutos

Já tinha dado alguns passos na meditação, tanto sozinha (começando por períodos pequenos de 2 minutos e, mais recentemente, com meditações guiadas com até 10 minutos), como no yoga. O verdadeiro desafio foi meditar por 15 minutos. Para o efeito, sentei-me de forma confortável no meu quarto e recorri a esta meditação guiada.

Meditar não é sobre não pensar em nada, é mais sobre ver os pensamentos que inevitavelmente vêm à cabeça como algo exterior a nós (eu gosto de os imaginar como nuvens), sem julgamentos. E quando nos apercebemos que já não estamos focados na respiração, devemos tornar a prestar atenção à mesma. Meditar é sobre estar presente... no momento presente. 

Então... este desafio foi... um verdadeiro desafio! 15 minutos ainda é muito tempo para mim, estive muito agitada durante quase todo o tempo, a não conseguir deixar ir os pensamentos e a perder o controlo da respiração. Já sabia a priori que seria difícil e penso que isso gerou alguma agitação interior, uma vez que não me sentia segura quanto a atingir o objetivo. Bom, um erro! Afinal meditar não é sobre quantidade, mas sim sobre qualidade. Os meus 15 minutos de agitação meditação teriam valido mais se tivessem sido apenas 10 minutos plenos.

Não me vou alongar mais sobre este tema, mas em breve publicarei um post sobre como começar a meditar!

 

DIA 3| Destralhar a vida digital

Destralhar a vida digital quando a vida digital está uma completa bagunça (como a minha) pode levar algumas horas de trabalho intenso. Bom, tendo regressado ao trabalho hoje, não tenho essas horas e resolvi fazer algo mais superficial.

Eis então o que fiz:

  • Comecei ontem esta minha demanda: desativei as notificações do Facebook no telemóvel e saí de grupos que não me diziam nada. Hoje eliminei algumas amizades virtuais e fiz unfollow a várias pessoas sobre as quais não tenho qualquer interesse (ou que me irritam com os conteúdos estapafúrdios que publicam). Falta o Instagram;
  • Anulei a subscrição de sites de roupas, viagens, Ebays, etc. que nunca leio (nem abro) e que vão diretamente para o lixo;
  • Limpei a caixa de entrada dos 3 e-mails que tenho (e vocês dizem que exagero, três e-mails! e têm toda a razão. No entanto, um é o pessoal, o outro é o da universidade e o outro é aquele que eu devia fechar);
  • Organizei o meu ambiente de trabalho (na verdade, eu precisava de organizar todo o conteúdo do computador, mas perante a falta de tempo decidi que o mais prioritário era o ambiente de trabalho);
  • Limpei a lista de contactos;
  • Desinstalei aplicações que não preciso/ não uso;
  • Reposicionei as aplicações de acordo com a frequência de uso.

 

Os objetivos a curto prazo serão:

  • Terminar a missão Facebook e Instagram;
  • Apagar a contar de e-mail que eu devia fechar;
  • Organizar todo o conteúdo do computador;
  • Organizar os favoritos (ok, eu tenho de ser realista: depois de muitos anos de desorganização acho que é uma missão impossível. A solução é apagar tudo o que não está em pastas... assim até pratico o desapego!)
Dom | 02.09.18

DIA 1| Offline por um dia

Setembro chegou (finalmente!) e, como tinha dito aqui, decidi alinhar no desafio minimalista que começou ontem com um dia offline

Para garantir que passaria o dia mesmo offline, na noite anterior desinstalei todas as aplicações do telemóvel que utilizo com demasiada regularidade, como o Instagram, o Facebook, o Messenger do Facebook e o WhatsApp, e pausei a sincronização do e-mail. Assim, consegui garantir que mesmo que ligasse o Wi-Fi ou os dados móveis por descuido ou automatismo não receberia notificações. 

Bom, deixem-me recuar umas semanas na minha vida: há umas semanas atrás (depois de ver este vídeo) tomei a decisão de passar cinco dias sem Instagram e Facebook, porque me apercebi que estava viciada. Eu acordava, ligava o Wi-Fi e ia para o Instagram, via todas as stories até à última que tinha visto na noite anterior e o mesmo com as fotografias do feed. Depois ia ver o Facebook e confesso que, por lá, nem sempre ficava por muito tempo. Então eu decidi fazer um detox destas duas redes sociais por cinco dias. Ao contrário do que previ, foi fácil, não senti falta da vida dos outros e também não passei pelo famoso F.O.M.O*. No entanto, durante esses dias, tomei consciência do quão automática era a ação de desbloquear o telemóvel e de clicar no ícone da aplicação... porque de cada vez que o fazia não havia nada e o automatismo era quebrado... imagino os códigos de erro gerados pelo meu cérebro nesses instantes.

Posto isto, quando aceitei o desafio e vi que o primeiro dia era o de passar 24 horas offline, já sabia mais ou menos ao que ia. Contudo, como levei o desafio mesmo a sério, não pude configurar a impressora e foi uma chatice. Nada de grave: fica para amanhã (ou se calhar fica para terça, porque vai ser um verdadeiro desafio não reclamar com a dita cuja).

O facto de não ter o Messenger do Facebook ou o WhatsApp deixou-me um pouco ansiosa e a sentir-me demasiado desligada: "e se x precisa de alguma coisa e eu não puder ajudar?", "e se y está a passar aqui perto e eu perco a oportunidade de marcar um café e pôr a conversa em dia", etc. Contudo, quando começava a imaginar estes cenários (pouco prováveis, já agora), tentava pensar de outra forma (ah, o poder dos pensamentos... em breve no blog): "se for algo urgente ou verdadeiramente importante, ligam-me para o telemóvel" e a ansiedade gerada diluía-se num instante.

Outro facto que notei foi que a bateria do meu telemóvel chegou ao final da noite com 70% de bateria... fantástico! 

Agora, algo que me fez refletir depois do dia de ontem, que não tinha as redes sociais para me "encher" o dia... senti-me um pouco sem rumo. No sentido em que, durante o tempo que num dia normal eu estaria a perder tempo nas redes sociais, não tinha absolutamente nada para fazer - o que me preocupa consideravelmente e me deixa a refletir sobre os propósitos e a falta deles para a minha vida.

Hoje é o dia de meditar por 15 minutos e vou deixar esse momento para o final do dia, quando toda a gente já estiver na cama e não houver hipótese de ser incomodada.

 

*Fear Of Missing Out (medo de estar a perder algo). 

Pág. 1/2